AUTISMO ADULTO: SUAS DIFICULDADES E POSSIBILIDADES

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Ainda temos pouca literatura e estudos para o autismo adulto e juvenil. Porém, temos a pratica clínica, que cada vez mais é abastecida por casos de jovens e adultos que procuram o serviço de saúde com desconfiança de serem autistas.

Geralmente são casos de pessoas que tiveram acesso a sites, blogs, redes sociais e se identificaram com grande parte dos sintomas ali descritos. Gente que incluem dificuldades na área social, comunicação e certa rigidez ou inflexibilidade no comportamento ou pensamento.

Muitos também chegam a desconfiar ou a conclusão diagnóstica após investigação e avaliação do próprio filho, ou outro membro da família. Lembrando que a hereditariedade e questões genéticas são muito importantes entre as causas de autismo.

Interessante que recentemente inclusive a população mais idosa vem procurando por informação e diagnóstico.

Ah! Então aquele meu amigo era autista…

Assim, podemos obviamente imaginar que são pessoas que passaram uma vida ou boa parte dela sem diagnóstico, e o que relatam quase que de forma unânime é que eram vistos ou tidos como “esquisitos”, “estranhos” ou ainda com gostos ou comportamentos muito peculiares e diferentes do comum. Incluem aí as seletividades alimentares, o gosto ou interesse por objetos ou temas pouco comuns, as dificuldades sensoriais e as estereotipias ou ainda a presença de hiperfoco.

Através da prática clínica, posso afirmar que são pessoas que chegam muitas vezes “machucadas” emocionalmente. Muitas já sofreram alguma espécie de rejeição, de falta de compreensão do meio e até mesmo pelas dificuldades em se adaptar e se inserir no meio. Elas chegam com algum grau de sofrimento psíquico, salvo alguns casos de adaptação e resiliência incomuns.

Outro fato muito presente nos autistas mais velhos, com diagnóstico tardio é a presença de ideação suicida. Em algum momento, tamanho o sofrimento, o cansaço de não atingir as expectativas do meio, as dificuldades sem ser compreendido, o autista chegou a pensar ou até mesmo tentar tirar a própria vida.

Diagnóstico tardio para autismo em adulto… vale a pensa ir atrás disso?

Enfim, o que é de suma importância explorarmos aqui e informarmos: o diagnóstico mesmo que tardio é muito importante! Mas por quê? Por que quando somos diagnosticados, somos automaticamente acolhidos.

Sim, acolhimento é uma palavra chave quando tratamos de autismo adulto. Todo autista possuidor de um funcionamento atípico, necessita de alguma forma conviver, se inserir, numa sociedade tida como típica. Este fato gera grande angústia, conflito, grande dificuldade. Portanto, ao ser diagnosticado, o autista recebe respostas que geralmente busca por muito tempo, recebe compreensão, é dado um nome ao que antes era julgado erroneamente como estranho.

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Ao ser acolhido, o autista é visto, pode ser tratado, pode se compreender melhor e com isso se desenvolver.

Enriquecer suas habilidades, minimizar suas dificuldades e encará-las de frente, contando agora com apoio, com suporte, que pode e deve incluir uma equipe profissional habilitada e a família primordialmente. Ao se fazer uma conclusão diagnóstica de autismo em jovem ou adulto, assim como na criança é necessário que se faça uma boa avaliação neuropsicológica. Avaliação esta que irá mensurar ou mapear as habilidades e dificuldades desta pessoa no campo cognitivo e emocional.

Geralmente se faz quantificação e análise qualitativa dos índices intelectuais, os chamados Qis. Além disso, a análise detalhada das funções mentais como atenção, memória, assim como uma análise da dinâmica emocional, habilidades sociais, comunicação e funções executivas. Tudo a fim de facilitar e nortear a intervenção e trazer informações para o próprio autista e sua família.

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Aprofundando o diagnóstico

O estudo das comorbidades também é muito importante! Autistas mais velhos, devido ao prolongado tempo sem diagnóstico, sem tratamento adequado, criam suas próprias estratégias. Mas, ao mesmo tempo, já apresentam também conflitos, angústias, faltas, que podem se traduzir em outros distúrbios e patologias como ansiedade, depressão com ou sem ideação suicida.

Esta totalidade aliada ao grande universo psíquico e cognitivo deve ser visto, deve receber agora atenção, ser acolhido e assim proposto o tratamento que mais se encaixa nestas necessidades e nestas particularidades.

Geralmente o tratamento inclui psicoterapia com psicólogo habilitado para autismo adulto e pode incluir ou não um profissional médico da área de saúde mental, ou seja, psiquiatra, neurologista para aliar a construção que será feita na psicoterapia, o uso de medicamentos que podem auxiliar, facilitar sua evolução e controlar as comorbidades.

O tratamento também pode incluir a presença de um acompanhante terapêutico, que irá muitas vezes facilitar a ponte entre o autista e a sociedade.

De qualquer forma o que deve aqui ser informado para ajudar é: autismo adulto tem tratamento, os resultados são muito bons, vale a pena o diagnóstico mesmo que tardio, pois o autista se sente muito melhor quando atendido e visto de modo único e correto.

Tratamentos que incluem maior aquisição de habilidades sociais e de comunicação, minimização de ansiedade e angústias, elevar auto estima, autoconfiança, auxiliar no processo de auto conhecimento e encontrar seu papel, seja ele na família, no meio, acadêmico ou profissional e que inclua orientação a família, este sim é um tratamento adequado e com grandes chances de êxito.

LUCIANA XAVIER
PSICÓLOGA E NEUROPSICÓLOGA
CRP 51507-8
Instagram: @NEUROPSICOLUX
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