Avaliação neuropsicológica no autismo

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Um rótulo, um nome, uma classificação, apesar de muito importante, determinante eu diria, pois acolhe, traz respostas, aponta o norte… nem sempre é o suficiente. Para auxiliar e complementar esse processo, temos a avaliação neuropsicológica.

Quando falamos em autismo falamos numa vastidão de formas de apresentação, por isso recentemente o DSM-V adotou o termo TEA Transtorno do Espectro Autista.

Assim, quando falamos em espectro falamos em diversos graus, apresentações e diferentes habilidades e dificuldades.

Pois bem, aí, exatamente aí, entra a importância da avaliação neuropsicológica.

Para quem é indicada a avaliação neuropsicológica?

Dentro do espectro encontramos com frequência indivíduos de alto funcionamento intelectual, outros com limitações intelectuais, com a presença de comorbidades (transtornos associados) ou não. Então como mapear este funcionamento e direcionar assim a intervenção a se fazer com este indivíduo tão único? Através de provas intelectuais, verbais e executivas que nos dirão sobre seus QIs, suas funções mentais, como: atenção, memória, linguagem, entre outras, e uma prova que nos permita conhecer seu perfil emocional também.

Pronto! Assim após alguns encontros que se iniciam com uma entrevista inicial e são seguidos pela aplicação dos testes, válidos, padronizados para a população brasileira, o profissional habilitado fará um “laudo”, com todos os resultados.

Os resultados são entregues à família ou ao próprio avaliado, no caso de adultos. Os resultados trazem dados quantitativos, mas sobretudo devem trazer a análise qualitativa dos dados obtidos, para que assim a família e/ou o avaliado faça total compreensão dos dados que foram obtidos.

Planejando a intervenção

Então, diferente do que muitos pensam: “eu já tenho o diagnóstico!”, a avaliação neuropsicológica cumpre outro papel, que nem sempre é diagnosticar, mas sim um “mapa”. Mapa este que irá auxiliar a equipe, a família e o próprio avaliado. Como? Com este laudo em mãos, que traça as habilidades, as dificuldades, as funções em atraso, as funções que o sujeito realiza, mas de modo mais lento, o quociente intelectual e seu funcionamento, ou dinâmica emocional, qualquer profissional habilitado pode planejar uma intervenção.

Uma intervenção eficaz, por quê? Porque teremos uma intervenção voltada a este sujeito, ou seja, individualizada. Assim podemos planejar objetivos, sub-objetivos, quais profissionais serão necessários e até mesmo contribuir de modo mais eficaz na promoção de evolução deste sujeito.

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O laudo neuropsicológico também é muito bem vindo para as escolas. Geralmente podemos fazer visitas às escolas para explicarmos, discutirmos os resultados e assim planejarmos o PEI – Programa Educacional Individualizado.

Vale ressaltar que existem profissionais com diversas linhas teóricas, porém hoje em dia todos convergem para um horizonte único, uma boa avaliação leva a uma boa intervenção.

Sem uma boa, clara e objetiva avaliação, que realmente levante todo o potencial, habilidades dificuldades, atrasos e déficits do indivíduo, não teremos uma intervenção individualizada.

A importância do envolvimento da família

Outro ponto importante, que as pesquisas no tratamento do autismo revelam, é que além de uma boa avaliação e de um bom plano individual de tratamento, a família deve estar envolvida, a escola e as horas de intervenção são importantes demais. Sabemos hoje que os autistas podem ter maior dificuldade na imitação, o que faz com que não “automatizem” funções com facilidade de um indivíduo típico, assim as horas de intervenção, a repetição, o trabalho de um objetivo sobre diversos enfoques profissionais, pode contribuir muito para que o cérebro do autista vá assim associando, se apropriando e automatizando tal função.

Os testes, escalas, provas a serem utilizados são criteriosamente selecionados pelo neuropsicólogo, que deve levar em consideração a queixa trazida e as dificuldades apontadas.

Por isso o primeiro momento de entrevista inicial, a primeira consulta, o primeiro encontro entre família, autista e profissional é riquíssimo e vocês enquanto família, mais uma vez são peça fundamental e podem ajudar muito.

Levem o máximo de informações, não “soneguem” nenhuma, levem exames, testes anteriores, laudo do neurologista, pedidos, relatórios da escola. Enfim, o que tiverem em mãos é muito valioso, pois o trabalho já começa neste primeiro momento, pelo menos para mim, neuropsicóloga.

Toda vez que falamos em processo de avaliação, falamos num processo de investigação, ou seja, levantamos hipóteses, e através dos testes vamos averiguar e confirmamos ou não.

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Conclusão

Para Luria, conforme cita Jana Glozman “não é possível conceber uma avaliação somente quantitativa: o indivíduo deve ser visto e compreendido dentro de sua história, construída de maneira única e singular; é preciso considerá-lo em seu contexto, ficar atento aos erros cometidos em cada um dos sub testes específicos, e sempre considerar a idade da criança e o que seria esperado para sua idade no que se refere ao amadurecimento, para, a partir daí, verificar se ela está próxima de adquirir as funções testadas ou, caso contrário, refletir e avaliar a eventual presença de distúrbios.” (GLOZMAN, 2017, p. 47)

LUCIANA XAVIER
PSICÓLOGA E NEUROPSICÓLOGA
CRP 51507-8
Instagram: @NEUROPSICOLUX
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